• Agenda climática exige continuidade e resultados

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Após discurso do presidente Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, WWF-Brasil reconhece avanços e reforça urgência da implementação
Por WWF-Brasil

Em seu discurso na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira, 22 de setembro, em Nova Iorque, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o papel do país no cenário internacional e a importância de enfrentar as crises climática e de perda de biodiversidade. Para o WWF-Brasil, o momento exige passar dos compromissos à implementação, com políticas consistentes, investimentos e ações capazes de responder à urgência climática. 

A organização reconhece os avanços recentes na redução do desmatamento e a retomada do protagonismo brasileiro na agenda ambiental internacional, especialmente com a realização da COP30. Ao mesmo tempo, destaca que consolidar essas conquistas deve ser uma prioridade de longo prazo, capaz de transcender ciclos políticos e eleitorais. 

“O país construiu, nos últimos anos, uma posição relevante na agenda ambiental internacional e apresentou avanços importantes na redução do desmatamento. O desafio agora é dar continuidade a essa trajetória e transformá-la em uma política de longo prazo, capaz de proteger nossos ecossistemas, reduzir vulnerabilidades e promover desenvolvimento. A liderança internacional ganha força quando é acompanhada por resultados concretos”, destaca Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. 

Manter a queda do desmatamento exige fiscalização efetiva, proteção dos territórios e combate às atividades ilegais, além de ações para conter a degradação dos ecossistemas. A conservação deve estar associada a alternativas econômicas sustentáveis e à garantia dos direitos e da participação de povos indígenas e comunidades tradicionais. 

“O financiamento climático e ambiental é central para transformar compromissos em ação. Recursos em escala adequada são fundamentais para que os países em desenvolvimento possam reduzir emissões, se adaptar aos impactos que já enfrentam e proteger seus ecossistemas. É essencial garantir que sejam acessíveis e cheguem efetivamente aos territórios e às populações que mais precisam”, salienta Tatiana Oliveira, líder da Estratégia Internacional do WWF-Brasil. 

Para a organização, o legado da COP30 será medido pela capacidade de transformar decisões em políticas e resultados verificáveis, especialmente nas agendas de desmatamento, transição energética, adaptação e financiamento. “A COP30 abriu uma nova fase para a agenda climática. Agora, o desafio é assegurar que os compromissos assumidos ganhem escala e se traduzam em resultados. O Brasil pode demonstrar que liderança diplomática e políticas públicas consistentes são capazes de caminhar juntas”, pontua Alexandre Prado, líder em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil. 

Nesse contexto, é fundamental acelerar a transição energética. “Ter uma matriz energética com forte participação de fontes renováveis e sustentáveis coloca o Brasil em uma posição privilegiada, mas não elimina a necessidade de avançar. É preciso reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, ampliar soluções de baixo carbono e garantir uma transição justa, que gere novas oportunidades de desenvolvimento”, frisa Ricardo Fujii, especialista em Transição Energética no WWF-Brasil. 

Ao mesmo tempo, é preciso preparar o país para os impactos que já não podem ser evitados. A adaptação deve integrar as políticas de desenvolvimento e orientar investimentos capazes de reduzir vulnerabilidades. “Enchentes, secas, ondas de calor e outros eventos extremos já afetam cidades, ecossistemas e sistemas produtivos. A adaptação precisa deixar de ser tratada apenas como resposta aos desastres e passar a integrar o planejamento, com investimentos em prevenção, infraestrutura resiliente, restauração de ecossistemas e soluções baseadas na natureza”, ressalta Flávia Martinelli, especialista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil. 

Para o WWF-Brasil, clima, ecossistemas naturais e biodiversidade precisam permanecer entre as prioridades de longo prazo do país. “O Brasil tem condições de demonstrar que desenvolvimento, conservação e segurança climática podem e devem caminhar juntos. Para isso, é fundamental que os avanços construídos até aqui tenham continuidade e sejam incorporados a uma estratégia de Estado, capaz de atravessar ciclos políticos e produzir transformações duradouras”, conclui Voivodic.

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